
*imagem criada com uso de Inteligência Artificial. Foto principal obtida em https://vermelho.org.br/
Em nome de todos os que fazem o canal Ágora da Geopolítica, deixamos aqui uma pequena homenagem ao professor Lejeune Mirhan.
Como professor, amigo e camarada Lejeune, sabemos de suas convicções e também sabemos que talvez você não pudesse concordar com cada linha desta homenagem. Ainda assim, permita-me, por meio dos amigos, dos alunos e dos companheiros de caminhada que permanecem entre nós, imaginar como pode ter sido a sua chegada à eternidade.
Chegou em silêncio.
Sem discursos.
Sem homenagens.
Sem bandeiras.
Levando apenas aquilo que ninguém consegue deixar para trás: a própria consciência.
Diante da eternidade, ouviu uma voz que jamais imaginara ouvir.
— Lejeune… você passou a vida procurando a verdade.
Ele respondeu com a serenidade de quem nunca temeu o debate.
— Procurei compreendê-la nos livros, na História e nos povos. Nem sempre Te encontrei. Nem sempre acreditei.
Deus sorriu.
— Nunca temi as perguntas sinceras. A dúvida pode ser o caminho de quem busca. O que fecha o coração não é a dúvida, mas a ausência de amor.
Lejeune abaixou os olhos.
— E minhas incredulidades?
— Eu conheço o coração que ninguém viu. Vi quando você se indignou diante da injustiça. Vi quando recusou o conforto da indiferença. Vi quando defendeu a dignidade humana sem esperar recompensas e mesmo sem invocar o Meu nome.
Fez-se um breve silêncio.
Então Deus continuou:
— Você ergueu sua voz por um povo que muitos esqueceram. Chorou pela Palestina quando tantos preferiram o silêncio. Estudou a China não para repetir slogans, mas porque acreditava que compreender um povo era o primeiro passo para respeitá-lo. Nunca aceitou que a ignorância fosse mais confortável do que o conhecimento.
Nesse instante, Lejeune percebeu que não estava sozinho.
À distância, aproximavam-se homens que também haviam dedicado suas vidas a compreender o mundo e a enfrentar as injustiças.
Edward Said abriu um sorriso acolhedor.
— Obrigado por nunca permitir que a Palestina fosse reduzida ao silêncio.
Paulo Freire apertou-lhe a mão.
— Ensinar é um ato de esperança. Você nunca entregou respostas prontas; ensinou pessoas a pensar.
Milton Santos observava a Terra com o mesmo olhar inquieto de sempre.
— O mundo continua desigual, meu amigo. Ainda haverá muito trabalho para aqueles que permaneceram.
Josué de Castro acrescentou:
— Enquanto houver quem denuncie a injustiça, nenhuma luta terá sido em vão.
Celso Furtado sorriu discretamente.
— O desenvolvimento verdadeiro começa quando um povo aprende a pensar por si mesmo.
E Frantz Fanon concluiu:
— A liberdade nunca nasce do silêncio. Ela nasce da coragem de compreender e de enfrentar a realidade.
Lejeune olhava para todos eles sem conseguir esconder a emoção.
E perguntou, quase num sussurro:
— Então… ainda há lugar para mim?
Deus respondeu:
— Há lugar para todos os que fizeram da busca pela verdade um exercício de humildade e da justiça um compromisso de vida. Eu vejo aquilo que os homens não conseguem ver.
Lejeune respirou profundamente.
— Passei a vida tentando deixar um mundo mais justo.
— E deixou.
Cada livro que escreveu.
Cada aula que ministrou.
Cada debate que provocou.
Cada estudante que aprendeu a questionar.
Cada palavra em defesa da Palestina.
Cada reflexão sobre a China, os povos e a geopolítica.
Cada consciência despertada.
Tudo isso permanece vivo.
Então Deus apontou para a Terra.
— Veja…
Seu canal no YouTube continua falando quando sua voz já descansa.
Ali, seus pensamentos continuarão encontrando novas gerações.
Seus vídeos seguirão despertando consciências.
Seus livros continuarão formando leitores.
Suas aulas permanecerão ecoando na memória dos que aprenderam com você.
Porque a morte pode silenciar uma voz, mas não consegue calar uma ideia.
Lejeune contemplou a Terra uma última vez.
Viu antigos alunos ensinando.
Pesquisadores ampliando suas reflexões.
Jovens descobrindo seus livros.
E pessoas, em diferentes lugares do mundo, recusando-se a aceitar a injustiça como algo natural.
Sorriu.
Então Deus concluiu:
— Os que viveram apenas para si são lembrados por pouco tempo.
Mas aqueles que viveram para ampliar o conhecimento, defender a dignidade humana e ensinar outros a pensar continuam caminhando muito depois de sua partida.
Os povos mudam.
As gerações passam.
Mas as ideias que nascem do compromisso com a verdade permanecem.
Vá em paz.
Seu tempo na Terra terminou.
Seu legado, porém, continuará sendo escrito por todos aqueles que um dia tiveram o privilégio de aprender com você.

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