Esse neologismo é uma homenagem a uma senhorinha daqui do bairro chamada Conceição. Ela é uma portuguesa, veio para o Brasil na década de 1970 fugida da ditadura Salazariana e atualmente é moradora do 316. A senhorinha-portuguesa sempre dá umas informações, truncadas, fora de hora e sem nenhum nexo. Foi assim em uma noite de terça-feira, ao dizer que a clínica do Dotô do bairro dá desconto por ser conveniada com a Prefeitura de São Paulo.
Logo, eu disse a dona Conceição sobre a veracidade da informação e a procedência. Ela não gostou muito de ser contrariada por mim. Aliás, outro dia, ela encheu a boca e disse que o vizinho do 284 viajou para Portugal com a mãe, que mora no 261. Fui verificar e encontrei o rapaz na padaria e ele não foi para o mencionado país lusitano.
Essa pequena história introdutória sobre a Dona Conceição traz para o leitor um fato inusitado do sábado pelo jornalista especializado em internacional Lourival Sant’anna ao noticiar na CNN que o avião do Presidente Nicolas Maduro estava próximo da fronteira do Brasil com a Venezuela e o chefe-de-Estado estaria escondido em terras brasileiras.
Alguns instantes depois, mais precisamente no domingo, Maduro foi localizado pela imprensa venezuelana em Caracas, fazendo discurso para uma multidão e dançando Cumbia para os venezuelanos. Ou seja, Sant’anna apenas fez uma operação psicológica para amedrontar a vizinha-pastora para orar pelo Pneu na igreja.
Um outro exemplo do jornalismo conceiçanista é a Andreza Matais, do Portal Metrópoles. Afinal, como diz o colega advogado Lucas Mourão, é preciso criar autoridade para se comunicar. Logo, aqui estou exercendo a minha autoridade textual e com criatividade.
Matais e sua equipe definem o título “Moraes questiona autoridade médica ao duvidar de Alzheimer de Heleno”. Ooops, Andreza! Peraí, moça! Tenho 3 anos de atuação na advocacia e 5 anos como assistente e venho de uma família de advogados. Então, é impossível aceitar que o General tem Alzheimer desde 2018 sendo que o diagnóstico apareceu em 2025?
Afinal, o magistrado lida com provas, a advocacia faz o filtro e organiza para enviar ao judiciário para que estas sejam analisadas. A dúvida é: será mesmo que tem esse diagnóstico? Logo, o ministro determinou que o general e ex-ministro passe por perícia médica. Afinal, Andreza, determinação de um magistrado é questionar autoridade médica?
Não, Andreza. No benefício da dúvida é preciso consultar um especialista. Para ter consistência e segurança na emissão de um parecer é necessário a opinião de alguém que conhece e que seja isento – um especialista médico que não seja a favor de A ou B. Por isso a determinação para que passe por perícia médica.
Um terceiro exemplo de jornalismo conceiçanista é a divulgação da pesquisa atlas. A imprensa hegemônica ou, como diz a jornalista venezuelana Orlenys Ortiz, a imprensa mercenária, resolveu destacar que o Lula perdeu popularidade, empata e o cenário embola com Tarcísio de Freitas e Michele Bolsonaro.
Contudo, leitores, ao assistir na quarta-feira um quadro chamado “Forum Mídias” apresentado por Antônio Mello, jornalista da revista Fórum, é o contrário. De acordo com as pesquisas, Lula ganha de todos os concorrentes no primeiro turno e há um empate técnico entre aprovação e desaprovação do governo.
Ou seja: É o puro suco da operação psicológica o jornalismo comercial brasileiro. É um meio de desinformação, de propagação do medo e do terror. É a prática jornalística da Dona Conceição do 316: sai falando pelas orelhas e não tem a mínima certeza da mensagem transmitida.
Com isso a lição é: é preciso primar pela boa informação e pela verificação. Não dá mais para acreditar de primeira, é preciso checar! Não dá pra cair na conversinha do “experiente jornalista internacional da emissora vermelhinha da paulista”, é preciso checar!
Quanto a situação da Andreza Matais, é desdenhar do sistema de justiça. Aliás, é muito grave desacreditar da atitude de um magistrado. A lição primaz do direito é: “Decisão judicial se cumpre!”. Se esta decisão foi produzida de forma questionável, cabe recurso ou contestá-la pelos ritos da justiça.
Ou seja, é inadmissível continuar a aceitar de forma passiva as mensagens dúbias e com teor de terror psicológico de um jornalismo conceiçanista. É preciso questionar, argumentar e utilizar os instrumentos adequados para tal como as seções de comentários e cartas ao leitor dos portais.

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