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“E conhecereis a verdade e a verdade os libertará”, o famoso versículo bíblico citado pelo capitão-patriarca da famiglia tradizionale brasiliana. Logo, o apóstolo João, ao escrever sobre a vida de Jesus Cristo, pensou em conhecimento de uma mensagem transmitida de forma segura com o intuito de abrir caminhos.

Desse modo, no intuito de reforçar com maior intensidade o alerta de Jesus Cristo sobre o conhecimento da boa nova e como essa mensagem se expande para outras vias, Patrick Charaudeau, em seu livro “Discurso das Mídias” define a verdade como o intuito de transmitir uma mensagem segura para o ouvinte.

Ou seja, é ter o mínimo de credibilidade, segurança e firmeza.  Uma outra definição de Charaudeau, no livro acima mencionado é a visada de informação: fazer o cidadão saber o que está acontecendo na vida social com a descrição e a explicação dos fatos.

Afinal, o denominado Contrato de Comunicação” tem a finalidade de transmitir a mensagem de forma correta e coerente. Ou seja, sem rodeios, seu aumentar, sem colocar algo não visto e não experienciado. Afinal, para se comunicar precisa ter verdade, dizer o real, o exato, o que aconteceu. Nesse sentido, ao trazer a ideia de Charaudeau, não é uma tarefa simples tratar da verdade, é fornecer a prova das explicações.

Há uma coincidência entre os fatos e o que é dito. Sim, ser exato, como está no refrão da música “Pétala” do cantor e compositor Djavan. Também pode se colocar o trecho dos Salmos de número 15 “Aquele que anda em sinceridade… (…) e fala verazmente segundo o seu coração”.

Comunicar é fazer crer, tornar verossímil, redundar o dito mais próximo do fato como se realizou, como explica Charaudeau.  No entanto, o jornalismo declaratório-mercenário não o faz, não se atem aos fatos. Prefere apenas ir atrás dos lucros e publicar o convincente, o rentável e o justiceiro.

Também, é preciso mencionar o tal jornalismo-espetáculo, também fomentado por alguns ditos canais progressistas, especialmente o canal de um “banqueiro do bem”, faz o tal “Aguarde a cena dos próximos capítulos” como algumas novelas Globais dos anos 1980/1990. Ou como os policialescos – aquela vinhetinha de suspense – Bomba! “Fica ai, não saia daí, depois dos comerciais vai ter uma notícia-bomba!”.

Notícia-bomba! Um rapaz, que pediu sigilo – claro, ele não é doido! Tá amparado pela Constituição Federal – art. 5º, XIV, “Resguardado o sigilo da fonte” – (P.S. o mais engraçado é ver internautas descredibilizar os jornalistas ao não citarem o nome da fonte), disse que levou uma sacola de papel com um dinheiro para um certo político.

Certo…. Veja só: sacola de papel … Sacola de papel associa-se ao saquinho de papel com aquele dizer no verso “Servir bem para servir sempre”. Ou outra frase: “Pão fresquinho é sempre na padaria”. Logo, lembrei de uma outra história, de um “faz tudo” – porteiro, transportador de dinheiro, servente, caseiro, inspetor – de uma escola da Cidade Satélite Santa Bárbara.

A Escola é tradicional aqui no bairro. Falo da Escola Santa Izildinha, organizada por Maria Therezinha Pelizzarri, com 51 anos de existência. Carlos era o “faz tudo”. Conhecido por “Roda”, por ser um rapaz franzino, com 1,48 de altura, ele costumava sair com um saquinho de papel bem cheio.

Um dia, estava no falecido Banco Bamerindus e encontrei o Roda na fila do banco e com o saquinho de papel na mão. De repente, dentro do saquinho de papel haviam várias cédulas e folhas de cheques para depositar na conta da Escola. O “faz tudo” do Santa Izildinha fazia isso todas as quartas até que um dia foi assaltado em uma das ruas do bairro.

Roda continuou fazendo até os herdeiros do Colégio contratarem os serviços de Transporte de Valores. O “faz tudo” acabou ficando de lado, passou a consumir drogas e tornou-se um andarilho. De acordo com algumas pessoas do bairro, Roda faleceu, vítima de atropelamento na Estrada do Iguatemi, próximo a entrada da Cidade Tiradentes.

Esse longo trajeto neste texto é para mostrar a você a importância da verdade e do contrato de comunicação. Dizer o real, o factual. Sem showzinho, sem alarde. As ideias aconteceram de forma natural, lembrar de um fato e descrever aquilo onde pude participar como um observador participante.

É preciso transmitir a informação de forma estratégica, didática e emancipadora, como diz Rey Aragon no texto “Quando o jornalismo progressista vira espetáculo”. Não é uma crítica ao veículo ou jornalista X ou Y, mas é um alerta ao sensacionalismo motivado por um trabalho investigativo.

Escrever é inspiração e transpiração. O jogo não é no campo da Economia da Atenção. O texto é lugar para pensar, inspirar, viajar, provocar reações e pensamentos em meio as lacrações, as dualidades e aos pensamentos binários de uma sociedade manipulada por algoritmos.

Escrever é comprometer-se com a verdade e com a realidade dos fatos. É o “visto-dito-ouvido”. Ou seja, é dizer o que aconteceu, falar a intenção. Como diz Patrick Charaudeau, é preciso mostrar o crível para a maioria do público.

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