Certos editoriais de jornais me lembram algumas histórias contadas por indivíduos idosos: Lembro de um senhorzinho, pianista que toda a vez que eu ia a um bar ouví-lo tocar dizia que São Mateus era o lixão da cidade, a Aricanduva era cheia de mato e a curva do cascavel – uma curva após o cruzamento da Avenida Rio das Pedras x Avenida Arraias do Araguaia – haviam cobras e muita neblina. Desse modo, fazer referência a São Mateus eram usadas palavras causadoras de agonia, pavor, medo, ideias estapafúrdias, exageros contados por velhinhos.
O tempo passou, São Mateus cresceu, o monotrilho chegou e o bairro está no aguardo da extensão da linha 15, em direção a Jacú-Pêssego, e a construção de um novo terminal. Com isso, vários empreendimentos estão sendo erguidos pela região e, desse modo, a verticalização à paulistana invade as terras do leste paulistano.
Logo, o texto trata sobre os editoriais. Sim, o editorial de um jornal é a porta de entrada para compreender quem é o veículo, o que pensam os seus editores, os seus donos – sim, quem banca? Leitores, Empresas, investidores “anjos”… – ou seja, o teor do texto, a sua forma de transmitir, de interpretar um fato revela muito o posicionamento do veículo sobre um determinado tema.
Sempre aos finais de semana, Donald Trump apronta alguma pelo mundo desde o início deste ano. Tudo começou com o sequestro do Presidente Nicolas Maduro e a sua esposa, Cilia Flores em janeiro e agora, no sábado, 28 de fevereiro, um ataque em conjunto de Israel e EUA contra o Irã.
Toda a guerra tem as suas consequências. É um acontecimento pesado e gera muita tristeza, principalmente pelas perdas humanas. Logo, é incabível um jornalão, da tradicional família paulistana, aquele da Marginal Sem Número colocar o seguinte título: “Ninguém vai chorar pelo Irã”!
Esses dias eu tenho ouvido várias canções para treinar os idiomas que faço uma força para trocar algumas palavras. Tenho um costume de ter dois cadernos: Um para escrever um diário em inglês e outro em italiano. Os dois idiomas me viro bem e troco algumas ideias. Ainda não tenho habilidade para criar extensos documentos em ambos os idiomas.
Logo, também canto, ouço muitas músicas e faço questão de traduzi-las para ampliar vocabulário, compreender colocações verbais. Nesse sentido “If I ever lose my Faith in you”, composta e interpretada pelo Sting é uma canção de letra muito forte, marcante e me desperta um total descrédito a várias instituições, especialmente a igreja e determinados sistemas de comunicação.
Sim, o jornalão da família tradicional ajudou várias pessoas a sentirem repulsa do jornalismo tradicional. Isso explica a audiência de um canal alternativo no You Tube de mais de 5 mil pessoas ao vivo, às 18h17. Aliás, jornalismo honesto, que dá a cara a tapa custa caro, é perseguido e precisa estar munido de bons advogados para defender.
Ao ler um texto, raso, lotado de julgamentos morais, sem um conhecimento adequado sobre a situação do Irã e, para piorar, chamar o Estado médio-oriental de “pária” e o reduzi-lo ao dizer que não tem o direito de ter uma bomba nuclear. Ah, que postura nefasta por parte de um veículo jornalístico, onde um país perde seu líder e um “conservador” assume o governo.
Assim, o jornalismo hegemônico assume de vez a postura necrojornalística. Como diz a artista plástica Inês Oludê: “O jornalismo brasileiro atingiu um novo patamar de miséria moral” em seu texto “Os necrojornalistas e o choro pelo Irã” (https://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-necrojornalistas-e-o-choro-pelo-ira-por-inez-olude/#goog_rewarded).
Talvez os necrojornalistas do jornalão da família nunca ouviram ou nem leram a primeira estrofe de “Rosa de Hiroshima”:
Pensem nas crianças mudas, telepáticas/
Pensem nas meninas cegas, inexatas/
Pensem nas mulheres, rotas alteradas/
Pensem nas feridas como rosas cálidas”.
Ou, de Fragile, uma canção linda, composta pelo Sting (apenas a primeira estrofe e o coro):
If blood will flow when flesh and steel are one/
Drying in the color of the evening Sun/
Tomorrow’s rain will wash the stains away/
But Something in our minds will Always stay
…(…) On and on the rain will fall/
Like Tears from a star, like tears from a star/
On and on the rain will say/
How fragile we are, how fragile we are.
“Como frágeis nós somos, Como frágeis nós somos..”. como canta o Sting em sua canção. Afinal, o jornalismo é lidar com o humano, com os fatos, com a notícia. Quando se trata sobre a Segurança Jurídica de um profissional de imprensa é se preocupar com a subjetividade circulante pelas ruas e ser uma vida-nua (Malheiro; Silva,2023, apud Agambem, 2002) em busca da notícia.
No entanto, os necrojornalistas do jornal da “famiglia” não compreenderam o lado humanístico da produção textual. Apenas buscam a IA e a utilizam como guia para o seu processo criativo e preocupadíssimos com técnicas de SEO (Search Enginner Optimization) preferem a lacração em vez da humanização.

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