Depois de 13 anos morando em Campina Grande, resolvi escolher um time para torcer na cidade. E a decisão veio após assistir a um clássico entre Campinense e Treze. Mas, atenção: hoje não vou falar de política. Falarei de futebol!

Sou apaixonado pelo Santa Cruz. Isso nunca esteve em discussão. Entretanto, há 13 anos resido em Campina Grande e nunca havia declarado qual dos dois times da cidade considerava mais interessante. Resolvi, então, assistir ao confronto entre Campinense e Treze Futebol Clube. Queria observar o jogo, avaliar as estratégias e, quem sabe, descobrir uma nova paixão futebolística.
O jogo foi tenso desde o início.
O Campinense partiu para o ataque, mas havia algo estranho na maneira como conduzia a partida. A deslealdade parecia fazer parte da estratégia, e a rachadinha despontava como a principal jogada. O volume de jogo era tão intenso que o risco de um verdadeiro chocolate parecia evidente.
Do outro lado, o Treze tinha um excelente técnico. Um senhor de 80 anos, experiente, vencedor de pelo menos três edições daquela competição e que buscava o tetra. Apesar da idade, demonstrava disposição, firmeza e uma capacidade impressionante de organizar a equipe.
Foi nesse momento que comecei a olhar para o 13 com outros olhos.
João Nunes, o guerreiro do ataque
Como torcedor apaixonado pelo Santa Cruz, eu não tinha obrigação de escolher entre os dois rivais de Campina Grande. Mas, diante do que observava, o Treze parecia a opção mais evidente.
Do lado do Campinense, chegavam notícias de que o Treze seria um time de corruptos. Diziam que seu principal atacante precisava ser contido a qualquer custo. Se não me falha a memória, seu nome era João Nunes.
Mas o que vi em campo foi um guerreiro. Um jogador que não se limitava a buscar o gol: coordenava seu exército, orientava os companheiros e procurava fazer com que todos atuassem de maneira sincronizada e eficiente.
Como não admirar um time que tinha João Nunes?
Enquanto isso, o adversário parecia empenhado em desqualificar o atacante, como se o simples fato de ele representar uma ameaça dentro de campo justificasse impedir seu avanço.
E futebol, afinal, não deveria ser isso. O adversário precisa ser derrotado jogando, não eliminado por meio de artifícios que desrespeitem as regras.
Quando o banco de reservas também entra em campo
Olhei para o banco do adversário. Não me recordo do nome do técnico, mas seu substituto era o próprio filho do treinador principal.
A situação era curiosa. O atacante do Campinense gritava em campo para que ninguém contasse com o técnico adversário, que estaria preso por questionar as regras do jogo.
O técnico substituto, por sua vez, parecia tranquilo. Apostava em versões convenientes dos acontecimentos e agia como se tivesse a arbitragem sob controle. Afinal, a impressão era de que cada falta acabava favorecendo o mesmo lado.
Até a mudança do local da partida, sem comunicação direta a todos os torcedores, parecia ter passado despercebida por quem deveria garantir a regularidade do espetáculo.
Havia também uma tentativa de impedir que o atacante do Treze utilizasse o WhatsApp para informar os torcedores. Ora, desde quando um jogador precisa ser silenciado por querer conversar com sua própria torcida?
O jogo estava repleto de irregularidades. Pelo menos era essa a impressão que se formava a cada novo lance.
Um técnico que não desiste
Apesar de já ter perdido o jogo de ida por 1 a 0, o treinador do Treze não se entregava. Continuava mandando a equipe ao ataque, cobrando empenho e lembrando que a partida ainda não havia terminado.
Era uma lição de futebol — e talvez de vida.
O jogo é jogado. O adversário precisa ser derrotado dentro de campo. E as regras devem valer para todos, independentemente do tamanho da torcida, da força política do clube ou da influência de seus dirigentes.
A experiência daquele senhor de 80 anos parecia ensinar algo fundamental: não basta ter um bom elenco. É preciso ter coragem, persistência e compromisso com o jogo limpo.
A torcida do 13 e a democracia nas arquibancadas
Foi quando olhei para a torcida do 13 que compreendi melhor o que estava acontecendo.
Aquela gente não parecia estar ali apenas para assistir passivamente à partida. Participava do jogo, cobrava, incentivava e se mantinha unida. Não era somente uma torcida: era parte ativa do espetáculo.
O treinador defendia que todos deveriam ter descontos nos ingressos. Defendia também que as categorias de base fossem gratuitas e que o acesso ao esporte não fosse privilégio de quem pudesse pagar.
Na visão daquele técnico, o futebol deveria ser acessível, assim como os direitos fundamentais precisam ser garantidos a todos. Afinal, o direito de torcer também faz parte da experiência democrática.
Foi então que ouvi o coro vindo das arquibancadas:
“Olê, olê, olá! Lula, Lula!”
O estádio parecia estremecer.
Finalmente, compreendi o nome daquele treinador: Lula.
Por que o 13?
Depois de observar o jogo, as estratégias, os conflitos e a participação da torcida, comecei a entender por que o número 13 tinha tanto significado naquela partida.
Não se tratava apenas de um número estampado na camisa. Era também uma referência à identidade de um grupo, à força coletiva e à esperança de vitória.
O Treze, com sua história e sua torcida, oferecia uma metáfora interessante para pensar o futebol como espaço de disputa, participação e democracia.
E eu, que cheguei ao estádio sem ter escolhido um time de Campina Grande, saí com uma preferência bastante clara.
Continuo apaixonado pelo Santa Cruz. Essa paixão não se negocia. Mas, depois de 13 anos vivendo nesta cidade, descobri que poderia ter também uma simpatia especial por um dos seus clubes.
O resultado da partida? Esse eu conto depois.
Por enquanto, fica a pergunta: como não simpatizar com o 13 quando se acredita que o jogo precisa ser disputado com regras justas, participação popular e respeito à torcida?
Hoje não falei de política. Falei de futebol.
Mas, curiosamente, saí do estádio pensando que o bom futebol, assim como a democracia, só tem sentido quando todos podem entrar em campo.
E, de onde moro, o 13 é a melhor opção!

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