Projeto de VLT busca reduzir congestionamentos e integrar bairros, mas moradores temem impactos nas casas e cobram informações sobre o traçado.

O avanço dos dormentes em contraste com o congestionamento: evidência de efeitos positivos do VLT para mobilidade urbana. (Crédito: Xisto Souza Júnior)
O projeto de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Campina Grande parte da antiga malha ferroviária, atualmente subutilizada. Em 2025, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a desativação de 16,3 quilômetros de trecho concedido à Ferrovia Transnordestina Logística, abrindo espaço para sua utilização no transporte urbano. Informações posteriores indicam um percurso aproximado de 15 quilômetros.
Segundo Daniel Oliveira Araújo, coordenador de trânsito da Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP), “os estudos apontam potencial de atendimento de cerca de 40 mil pessoas”. O trajeto previsto liga o Araxá, na zona noroeste, ao Aluízio Campos, no Sudeste, atravessando áreas residenciais e polos industriais, educacionais, esportivos e de saúde

Ao utilizar a faixa ferroviária existente, o VLT pode estabelecer um novo eixo de circulação. Para Araújo, a integração com ônibus, táxis, mototáxis, aplicativos e bicicletas será fundamental para o sistema, que ele considera “um divisor de águas para a mobilidade urbana em nossa cidade”. A proposta também é relacionada à melhoria da qualidade do ar.
Moradia entra no caminho dos trilhos
O desafio, porém, ultrapassa os trilhos: como implantar o projeto sem comprometer o direito à moradia das comunidades próximas à linha férrea?
Moradores do Tambor, Araxá e Estação Velha manifestam preocupação com possíveis impactos sobre suas residências. Mayana Santos, moradora de uma das áreas afetadas, afirma que a principal inquietação é a falta de informações sobre o futuro das famílias. Segundo ela, existe receio de remoções e de rompimento de vínculos construídos ao longo de décadas.
“Ninguém é contra o VLT. A gente sabe que ele pode melhorar o transporte urbano. O que exigimos são soluções habitacionais concretas para as famílias que podem ser atingidas”, relata.

Moradores de comunidades próximas à linha férrea acompanham as discussões sobre os possíveis impactos do projeto. (Crédito: Xisto Souza Júnior)
A questão foi debatida em audiência pública na Câmara Municipal de Campina Grande, com participação da Defensoria Pública da União, pesquisadores universitários e lideranças comunitárias. Representantes da Prefeitura afirmaram que nenhuma família será removida sem solução habitacional adequada.
O secretário municipal de Assistência Social, Fábio Bezerra Tomaz, declarou que existe determinação da gestão para garantir o direito à moradia das famílias eventualmente afetadas. “Nenhum cidadão vai sair de dentro de sua casa enquanto não tiver outra para entrar”, afirmou.
A implantação do VLT coloca em debate duas dimensões do planejamento urbano: ampliar a mobilidade e proteger as famílias afetadas. A discussão também se relaciona ao ODS 11, que propõe cidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. O futuro dos trilhos dependerá de como mobilidade, moradia e participação social serão articuladas.
